A "CURA" GAY
Sábado, vassoura na mão, ouvindo música bem alta numa praia sem vizinhos nessa época, canta Ana Carolina e penso em falar sobre a qualidade de texto e melodia no meio de tanta bagagem descartável e, de repente, ela começa a cantar a música "E eu que não sei nada de mim", dela e do Vercillo, e escuto versos que entram alma adentro:
"Clara, noite rara, nos levando além da rebentação, já não tenho medo de saber quem somos na escuridão... Navegando nos meus seios, mar partindo ao meio, não vou esquecer..."
Provavelmente pensado em sua Chiara, um hino de poesia e amor. Minha mente envereda para o tal projeto do Feliciano sobre a "cura" gay. Mas, por favor, onde está a doença em se querer bem alguém do mesmo sexo? Anas que amam Claras, Claras que amam Veras, Veras que amam Marias, Pedros que amam Josés. O afeto, o desejo são parte de uma corrente do bem!!! Mais doença não seria a intolerância? Mais doença não seria a violência? Mais doença não seria a coisificação da mulher? Mais doença não seria a própria homofobia? Homofobia não é simplesmente não entender, é reagir. E como dizem Diana e Mário Corso, psicanalistas, não precisa haver cura para uma simples faceta do desejo e, sim, para a homofobia em si, pois " a fobia é uma forma de sofrimento, na qual alguém fica fixado em algo que lhe produz fascínio e horror" (Zero Hora - 11/05/2013).
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