sábado, 1 de junho de 2013


Sei que a boca foi um doce
e o toque pra lá de sutil

Mas não te ilude

Te quero como tela de Van Gogh
cor de luz
em amarelo e fogo


Queria ter asas de pombo-correio
para mandar-me mensagens de amor

Às vezes grito meu nome
para que alguém me chame
e aí sim é um amor que acredito
e atendo em comunhão

Compreendo por todos os ângulos 
essa outra que se agiganta em mim
e conheço seus silêncios de poema

Voa solidão
Voa em busca de outra aventura
que mereço dar-me a paz
como presente

sexta-feira, 31 de maio de 2013


Fundi
uma rosa
nova
no peito
do bem
-querer

E em prol
da velha
harmonia
entre a cor
e a poesia
fundi
coração
que salta


na terra
onde falta
a flor

quinta-feira, 30 de maio de 2013


A solidão anda descalça
para que não se a perceba

Anda a pé 
e traz no silêncio
tudo aquilo que necessitamos
aprender dos desencontros

A irresponsabilidade
de se pensar no plural
no coletivo
nos distrai da dolorosa realidade

Todos
irremediavelmente
somos unos

quarta-feira, 29 de maio de 2013


Quando vejo o chão que tu pisaste
recordo tuas pegadas em profunda comunhão

É sempre assim
Teus lábios de cetim
também guardados
A voz em derradeira comunhão
E os olhos
os olhos desnudados

É sempre assim
Teu sorriso abrindo eco em mim
e a ilusão de ser feliz
como uma fada

É sempre assim
Repito amor amor amor
e em tão feliz visão entrecortada
tomo-te o corpo como eu sempre quis

terça-feira, 28 de maio de 2013

É muito muito mais difícil
o senso de justiça
em relação
aos nossos próprios pecados
Todas as coisas
um dia retornam
mas sempre se repetem
num instante novo

Como uma onda
no meio de um mar revolto
que vai e volta
num lugar diferente
de onde saiu

segunda-feira, 27 de maio de 2013

domingo, 26 de maio de 2013


De Eduardo Magrão Menezes


BORBOLETA
Não haverá como esquecê-la...
Onde houver borboletas, lá você estará,
Lembrando-me que me fez voar.
E minha alma voará até a borboleta....
Tentando te reencontrar!

De Paulo Motta


Estava recordando as história infantis da minha época, que estão banidas da vida das crianças de hoje, pois são politicamente incorretas. Ali Babá e os 40 ladrões, por exemplo, é uma história hedionda, de roubo e traição - nada que não se veja na novela das nove - e culmina com a escrava de Ali Babá, Morgana, matando os 40 ladrões, derramando óleo fervente nos potes de barro onde estavam escondidos. E Ali Babá tinha uma escrava! João e Maria nem se fala! Os pais saem com as crianças para a floresta, com a intenção de extraviá-las no mato, pois não tinham o que comer. O Gato de Botas é um competente estelionatário, que mente pra seu dono se dar bem. E ele se dá. O Pequeno Polegar sofre bullyng dos irmãos por ser baixinho. Chapeuzinho Vermelho é explorada pelos pais, que mandam levar remédios e comida pra vovó, no meio da floresta. Que filhos deixam uma velha sozinha e doente no meio do mato, onde tem um lobo à solta? E idiota, pois não consegue ver diferença entre a vovó e o lobo de óculos e touca. Hoje, se fossemos contar essas fábulas, seriam readaptadas. Os pais de João e Maria receberiam Bolsa Família e não precisariam se desfazer das crianças. O Pequeno Polegar seria encaminhado para um Programa de Inclusão Social, que o realocaria ao mercado de trabalho. Os caçadores que matam o lobo seriam presos por abater animal silvestre, e Chapeuzinho vai parar no Conselho Tutelar. Ali Babá seria preso por manter trabalho escravo em casa, e Morgana é processada por eliminar 40 cidadãos de forma cruel. Responderá o processo em liberdade, pois tem residência fixa e não tem antecedentes. Viu como até pra contar uma historinha tu corre o risco de ser enquadrado? Buenas Noches, tigrada!

sábado, 25 de maio de 2013


Melhor permanecer calada...

São os pássaros
que conduzem a conversa
em efervescentes
cerimônias matinais.
Se me fosse permitido
caminhar sobre as águas 
estaria mais perto de ti
Na outra margem 
moram os sonhos
entre muros de aço
e ensurdecedores sons
na contramão

Se me fosse permitido
caminhar sobre as águas
escalaria teus sonhos
em busca de janelas
como meus olhos
escalam coqueiros
em busca do sol

Mas se a ti fosse permitido
caminhar sobre as águas
certamente nascerias de novo
paredes de flor
e murmúrios de vento
nesse milagre de apenas brindar
o dia que começa
e a noite que termina

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Não fugir
de nossas imagens farpadas
é tão milagroso
quanto ler um livro

Ambos colocam nossos méritos

na devida proporção
e enriquecem
irremediavelmente
nossas escolhas 

quinta-feira, 23 de maio de 2013


Como existem armadilhas
contra a satisfação

Algumas
bem concretas

Mas a esmagadora maioria
é tão imaginária
quanto D. Quixote
e seus gigantes
de vento
Um indefinível rumor de solidão
desprende da mata
enquanto fecho as janelas

Sonoridade oca de casa vazia

Um rumor de solidão
afeta o silêncio do quarto
denso
gigantesco
ensurdecedor

Azar do coração
que teima em bater sossegado
à tua porta

Azar do solitário coração