Sei que a boca foi um doce e o toque pra lá de sutil Mas não te ilude Te quero como tela de Van Gogh cor de luz em amarelo e fogo
Queria ter asas de pombo-correio para mandar-me mensagens de amor Às vezes grito meu nome para que alguém me chame e aí sim é um amor que acredito e atendo em comunhão Compreendo por todos os ângulos essa outra que se agiganta em mim e conheço seus silêncios de poema Voa solidão Voa em busca de outra aventura que mereço dar-me a paz como presente
sexta-feira, 31 de maio de 2013
Fundi
uma rosa
nova
no peito
do bem
-querer
E em prol
da velha
harmonia
entre a cor
e a poesia
fundi
coração
que salta
na terra
onde falta
a flor
quinta-feira, 30 de maio de 2013
A solidão anda descalça para que não se a perceba Anda a pé e traz no silêncio tudo aquilo que necessitamos aprender dos desencontros A irresponsabilidade de se pensar no plural no coletivo nos distrai da dolorosa realidade Todos irremediavelmente somos unos
quarta-feira, 29 de maio de 2013
Quando vejo o chão que tu pisaste recordo tuas pegadas em profunda comunhão É sempre assim Teus lábios de cetim também guardados A voz em derradeira comunhão E os olhos os olhos desnudados É sempre assim Teu sorriso abrindo eco em mim e a ilusão de ser feliz como uma fada É sempre assim Repito amor amor amor e em tão feliz visão entrecortada tomo-te o corpo como eu sempre quis
terça-feira, 28 de maio de 2013
É muito muito mais difícil
o senso de justiça
em relação
aos nossos próprios pecados
Todas as coisas um dia retornam mas sempre se repetem num instante novo Como uma onda no meio de um mar revolto que vai e volta num lugar diferente de onde saiu
segunda-feira, 27 de maio de 2013
Tomara que me concedas muitas manhãs pacificadas como essa O absoluto apaziguamento dos sentidos... Apenas isso e essa viagem terá valido a pena
domingo, 26 de maio de 2013
De Eduardo Magrão Menezes
BORBOLETA Não haverá como esquecê-la... Onde houver borboletas, lá você estará, Lembrando-me que me fez voar. E minha alma voará até a borboleta.... Tentando te reencontrar! De Paulo Motta Estava recordando as história infantis da minha época, que estão banidas da vida das crianças de hoje, pois são politicamente incorretas. Ali Babá e os 40 ladrões, por exemplo, é uma história hedionda, de roubo e traição - nada que não se veja na novela das nove - e culmina com a escrava de Ali Babá, Morgana, matando os 40 ladrões, derramando óleo fervente nos potes de barro onde estavam escondidos. E Ali Babá tinha uma escrava! João e Maria nem se fala! Os pais saem com as crianças para a floresta, com a intenção de extraviá-las no mato, pois não tinham o que comer. O Gato de Botas é um competente estelionatário, que mente pra seu dono se dar bem. E ele se dá. O Pequeno Polegar sofre bullyng dos irmãos por ser baixinho. Chapeuzinho Vermelho é explorada pelos pais, que mandam levar remédios e comida pra vovó, no meio da floresta. Que filhos deixam uma velha sozinha e doente no meio do mato, onde tem um lobo à solta? E idiota, pois não consegue ver diferença entre a vovó e o lobo de óculos e touca. Hoje, se fossemos contar essas fábulas, seriam readaptadas. Os pais de João e Maria receberiam Bolsa Família e não precisariam se desfazer das crianças. O Pequeno Polegar seria encaminhado para um Programa de Inclusão Social, que o realocaria ao mercado de trabalho. Os caçadores que matam o lobo seriam presos por abater animal silvestre, e Chapeuzinho vai parar no Conselho Tutelar. Ali Babá seria preso por manter trabalho escravo em casa, e Morgana é processada por eliminar 40 cidadãos de forma cruel. Responderá o processo em liberdade, pois tem residência fixa e não tem antecedentes. Viu como até pra contar uma historinha tu corre o risco de ser enquadrado? Buenas Noches, tigrada!
sábado, 25 de maio de 2013
Melhor permanecer calada... São os pássaros que conduzem a conversa em efervescentes cerimônias matinais.
Se me fosse permitido caminhar sobre as águas estaria mais perto de ti Na outra margem moram os sonhos entre muros de aço e ensurdecedores sons na contramão Se me fosse permitido caminhar sobre as águas escalaria teus sonhos em busca de janelas como meus olhos escalam coqueiros em busca do sol Mas se a ti fosse permitido caminhar sobre as águas certamente nascerias de novo paredes de flor e murmúrios de vento nesse milagre de apenas brindar o dia que começa e a noite que termina
sexta-feira, 24 de maio de 2013
Não fugir de nossas imagens farpadas é tão milagroso quanto ler um livro Ambos colocam nossos méritos na devida proporção e enriquecem irremediavelmente nossas escolhas
quinta-feira, 23 de maio de 2013
Como existem armadilhas contra a satisfação Algumas bem concretas Mas a esmagadora maioria é tão imaginária quanto D. Quixote e seus gigantes de vento
Um indefinível rumor de solidão desprende da mata enquanto fecho as janelas Sonoridade oca de casa vazia Um rumor de solidão afeta o silêncio do quarto denso gigantesco ensurdecedor Azar do coração que teima em bater sossegado à tua porta Azar do solitário coração